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   Brasil, Domingo, 22 de Outubro de 2017.CPF:Senha:

"Capacidade de absorver carbono da Amazônia cai pela metade"

É o que revela estudo publicado na revista Nature por cientistas de diversos países, incluindo pesquisadores da Rede Bionorte.

Uma pesquisa liderada pelo Professor Oliver Phillips, da Universidade de Leeds (Inglaterra), demonstra que a capacidade da Amazônia para absorver CO2 da atmosfera decaiu severamente desde os anos 90. O artigo “Long-term decline of the Amazon carbon sink” foi publicado ontem, 19 de março de 2015, na Revista Nature (Vol. 519, pág. 344-348, doi:10.1038/nature14283).

A floresta Amazônica havia funcionado até recentemente como um enorme sumidouro de carbono, ajudando a retirar cerca de 2,4 bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera a cada ano e assim contribuindo para minimizar as mudanças climáticas. No entanto, a floresta Amazônica está perdendo sua capacidade para armazenar carbono da atmosfera devido ao aumento acelerado na mortalidade de suas árvores.

 

É o que mostra este estudo de dados de campo, o maior realizado até agora para o bioma. Um time de quase 100 pesquisadores de vários países, incluindo dois professores (Beatriz S. Marimon e Ben Hur Marimon Junior)e um aluno (Edmar Almeida de Oliveira) do doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte, analisaram 30 anos de dados sobre florestas. 

 

A notícia vem sendo amplamente divulgada nos meios de comunicação globais, como o The Wall Street Journal, BBC News, CBC News, Science AAAS, ABC Science, The Mirror, The Guardian, Le Monde, Herald Scotland, Carbon Brief, Bloomberg, BBC Wold Service, O Globo, Revista Veja, etc.

 

 

Press release

Acúmulo de carbono na floresta Amazônica está diminuindo devido ao aumento na mortalidade de árvores

Os resultados deste enorme estudo, liderado pela Universidade de Leeds na Inglaterra e contando com a participação de quase cem pesquisadores, foram publicados ontem na revista Nature.

 

O autor principal do estudo, o Dr. Roel Brienen do Departamento de Geografia, Universidade de Leeds, relata: “As taxas de mortalidade das árvores aumentaram mais que um terço desde os anos 80 e isso está afetando a capacidade da floresta Amazônica para armazenar carbono”.

 

Nas últimas décadas, a floresta Amazônica tem funcionado como um enorme sumidouro de carbono, ajudando a combater o acúmulo de CO2 na atmosfera e as mudanças climáticas associadas a este acúmulo. No entanto, esta nova análise dos padrões de dinâmica florestal demonstra um aumento acelerado nas taxas de mortalidade de árvores na Amazônia.

 

Crescer rápido, morrer cedo

Segundo os pesquisadores, o aumento de CO2 na atmosfera, um ingrediente chave para a fotossíntese, inicialmente propulsionou um surto no crescimento de árvores na Amazônia. Este carbono adicional, no entanto, parece ter tido consequências inesperadas.

 

O Professor Oliver Phillips, co-autor do estudo e também do Departamento de Geografia da Universidade de Leeds, explica: “Com o passar do tempo, o estímulo às taxas de crescimento das árvores faz com que elas cresçam mais rapidamente e morram mais cedo”. 

 

As secas e as elevadas temperaturas recentes na Amazônia também podem exercer um papel nestes resultados. Embora o estudo demonstre que o aumento da mortalidade de árvores vem occorrendo desde bem antes da seca de 2005, ele mostra também que esta seca causou a morte de milhões de árvores adicionais na Amazônia.

 

O artigo da Nature mostra ainda que o efeito de sumidouro de carbono da floresta Amazônica está diminuindo devido ao aceleramento de mortalidade de árvores. Nos anos 90, a floresta Amazônica armazenava cerca de 2 bilhões de toneladas de CO2 adicionais da atmosfera por ano em sua biomassa. Entretanto, este estudo demonstrou que as taxas de armazenamento de biomassa pela floresta caíram 50% desde então e agora estão sendo superadas pelas emissões de combustíveis fósseis na América do Sul. 

 

O Dr. Brienen relata: “Independente das causas do aumento de mortalidade das árvores, este estudo demonstra que as previsões de um continuado aumento de armazenamento de carbono por florestas tropicais podem ser excessivamente otimistas.”

“Modelos de mudanças climáticas pressupõem que a floresta Amazônica continuará acumulando biomassa enquanto as concentrações de CO2 na atmosfera continuarem aumentando. Nosso estudo mostra que este pode não ser o caso e que processos relacionados à mortalidade de árvores são fundamentais.“

 

O estudo contou com a colaboração de quase cem cientistas, dos quais muitos vêm trabalhando a décadas em países da América do Sul. O trabalho foi coordenado pelo RAINFOR (www.rainfor.org), uma rede de pesquisadores dedicados ao monitoramento de florestas Amazônicas. 

 

“Nossas áreas de florestas em Mato Grosso revelam um padrão parecido, com taxas de crescimento aumentando, mas a mortalidade das árvores aumentando mais ainda”, diz a Profa. Beatriz S. Marimon da Rede Bionorte, que coordena o monitoramento de florestas no sudeste da Amazônia. 

Para calcular as mudanças no armazenamento de carbono, os pesquisadores analisaram dados de 321 áreas de florestas em toda Amazônia, identificando e medindo 200.000 árvores, registrando as mortes e o recrutamento de novas árvores desde os anos 80.

 

“No mundo inteiro, florestas intactas estão mudando”, acrescenta o Professor Phillips. “Se o sumidouro de carbono em florestas tropicais continuar a diminuir, as concentrações de CO2 na atmosfera vão aumentar mais rapidamente. As florestas nos fazem um grande favor, mas não podemos depender delas para resolver o problema das mudanças climáticas. Precisamos cortar radicalmente nossa emissões de gases de efeito estufa se quisermos estabilizar o nosso clima.”

 

Reportagem no G1



Data: 23/03/2015

Fonte: Secretaria Geral do PPG-BIONORTE

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