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Bionorte
Bionorte
   Brasil, Domingo, 24 de Junho de 2018.CPF:Senha:

Justificativa

Justificativa da Criação da Bionorte

          Para garantir a conservação da Amazônia, é necessário promover a educação ambiental, especialmente das populações urbanas, e criar alternativas econômicas de uso sustentável de sua biodiversidade que se contraponham ao simples desmatamento. Neste contexto, pode-se citar a tese de um dos principais estudiosos da região, o professor Samuel Benchimol, de que "o desenvolvimento sustentável da Amazônia teria que respeitar quatro paradigmas: ser economicamente viável, socialmente justo, ambientalmente adequado e politicamente equilibrado".

          Agregar valor aos produtos da floresta é uma estratégia considerada importante para impedir a sua destruição. Além disso, para promover a conservação do bioma Amazônico, é imprescindível a implementação de áreas protegidas, o monitoramento da biodiversidade, a manutenção e aprimoramento de ações de conservação, o fortalecimento de cadeias produtivas, o empoderamento local, o uso do extraordinário potencial de seus recursos naturais, com uma oferta de opções de manejo de recursos naturais e de sistemas de produção agroflorestais sustentáveis. Na ausência desta estratégia, o baixo valor agregado dos produtos da floresta constitui um incentivo à sua destruição acelerada.

          Para que os recursos naturais sejam valorizados e explorados de forma sustentável, são necessários conhecimentos e tecnologias de práticas ambientais que perpassam pela compreensão dos processos biológicos, ecológicos, biofísicos e biogeoquímicos dos ecossistemas e suporte às cadeias produtivas de espécies nativas do extrativismo, em processo de domesticação ou já incorporados em sistemas de produção agrícolas. Em face ao estímulo do governo federal à produção de biocombustíveis, faz-se necessária a geração de conhecimentos para garantir a sustentabilidade das florestas energéticas, evitando a degradação dos recursos naturais. Nesse contexto, é fundamental o mapeamento da biodiversidade da região para identificação e domesticação das espécies vegetais, animais e recursos pesqueiros, além da prospecção de produtos bioativos de interesse farmacológico. No mercado mundial de medicamentos, que é da ordem de US$ 320 bilhões, 40% são derivados de fontes naturais. Atualmente, metade das drogas que estão em fase de testes clínicos para uso na medicina humana no mundo tem como origem produtos naturais.

          Dentre as 877 moléculas bioativas introduzidas na indústria de medicamentos, entre 1981 e 2002, 61% advém de produtos naturais bioativos e 39% correspondem a produtos de síntese química. Entretanto, a maioria dessas últimas advém de moléculas naturais com suas bioatividades aumentadas por síntese química combinatória. Estima-se que aproximadamente 25% dos "medicamentos éticos" dispensados nos Estados Unidos contem extratos da flora ou ingredientes ativos derivados de plantas. Apesar dos avanços das tecnologias de semi-síntese e de desenvolvimento de medicamentos, somente uma pequena porcentagem de espécies de plantas superiores terrestres no planeta foram investigadas. O número de insetos, organismos marinhos e microrganismos investigados também é insignificante, apesar das suas potencialidades econômicas reconhecidas.

          O mercado de fitoterápicos vem se desenvolvendo mundialmente, paralelamente à busca de fármacos inovadores da biodiversidade. No Brasil, esse mercado tem grande potencial de crescimento. No entanto, prevalece o mercado tradicional de pós, ervas e chás com baixo valor agregado.

          Para contribuir com a exploração sustentável e proteção da floresta amazônica, com geração de renda para seus habitantes, dentre outras ações governamentais, necessita-se: a) o conhecimento das espécies vegetais, animais e microbianas que contêm substâncias com atividade biológica de interesse econômico; b) o desenvolvimento de novos bioprodutos a partir de ferramentas biotecnológicas; c) a estruturação de cadeias produtivas; d) a disseminação do conhecimento na sociedade; e) o entendimento, a manutenção e proteção da dinâmica social dos povos tradicionais.

          Na Amazônia vivem populações com baixos índices de desenvolvimento humano e educacional. Embora a região tenha algumas importantes instituições de ensino e pesquisa, a proporção per capita de pesquisadores doutores é a menor do País. De acordo com dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, no ano de 2008 foram concedidas para os nove estados da Amazônia Legal, um total de 2.681 bolsas de pós-graduação, enquanto que a região Sudeste recebeu 22.715 bolsas, quase 10 vezes mais. O número de docentes e discentes também revela a enorme discrepância entre as regiões. Existiam nesse ano, apenas 2.821 professores doutores e 5.753 alunos na Amazônia Legal, enquanto a região Sudeste dispunha de 29.508 docentes doutores e 87.990 discentes. Desse modo, a relação de doutores na Região Norte era de aproximadamente 1/4.600 habitantes, ao passo que no Sudeste essa relação era quase o dobro (1/2.500 habitantes). Como essas proporções praticamente não se alteraram, é necessário que o número de doutores da Amazônia aumente muito para que essa discrepância seja reduzida. Ademais, torna-se imprescindível uma política de formação, atração e fixação de doutores na região.

          A avaliação dos programas de pós-graduação feita pela CAPES também revela a fragilidade da região. Do total de 4.356 cursos de mestrado e doutorado acadêmicos brasileiros, apenas 175 (4%) se encontram na região Norte. Dos cursos regionais avaliados na área de Biodiversidade e Biotecnologia, apenas quatro deles apresentam nota 5, indicando a consolidação desses programas, com corpo técnico-científico qualificado e alguns laboratórios bem instalados. Apesar disso, a grande maioria dos outros programas foi avaliada com nota 3 ou 4, indicando que é preciso fortalecê-los, melhorando a infra-estrutura, apoiando a pesquisa, aumentando a produtividade técnico-científica e, principalmente, incrementando o número e a qualificação dos recursos humanos.

          Portanto, investir no conhecimento da biodiversidade amazônica e na formação de recursos humanos é de primordial importância para que o patrimônio genético do bioma seja conservado e utilizado de forma racional em benefício das populações regionais e do país como um todo.

          Para isso, procurou-se criar um mecanismo que permita conhecer melhor a biodiversidade regional, além de usar esse conhecimento para a geração de novos bioprodutos, aliado à formação de mais doutores necessários para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Foi criada assim, a Rede BIONORTE - Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal.

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