Corpo Discente - Egressos

Arlene Oliveira Souza
TítuloEcologia e Etnoconhecimento da invasão de Acacia mangium Willd. Nas comunidades indígenas, Região Serra da Lua, Roraima.
Data da Defesa25/02/2016
Banca

ExaminadorInstituiçãoAprovadoTipo
Dra. Ana Carla Bruno - Membro da Banca ExaminadoraUniversidade Estadual do AmazonasSim
Dra. Débora Cristina Bandeira Rodrigues - Membro da Banca ExaminadoraUniversidade Federal do AmazonasSim
Dra. Gimima Beatriz Melo da Silva - Membro da Banca ExaminadoraUniversidade Estadual do AmazonasSim
Dra. Ires Paula de Andrade Miranda - Membro da Banca ExaminadoraInstituto de Pesquisa da Amazonia - INPASim
Dr. Charles Roland Clement - Presidente da Banca ExaminadoraInstituto de Pesquisa da Amazonia - INPASim
Palavras-ChavesPlantas Invasoras;Conhecimento Ecológico Local;Mitigação e Adaptação;Invasão Biológica.
ResumoEsta tese aborda a ecologia e o etnoconhecimento da invasão de Acacia mangium em terras indígenas (TI´s) da Região Serra da Lua em Roraima, território dos Wapichana e Macuxi, povos de línguas aruaque e carib, respectivamente. Trata-se de um estudo etnoecológico, qualiquantitativo, no qual se aliaram os conhecimentos ecológicos locais e científicos em busca de informações sobre as acácias invasoras dispersas dentro das TI´s. O objetivo da pesquisa é analisar a invasão da A. mangium a partir do etnoconhecimento e de dados ecológicos, tendo como estudos de caso as comunidades indígenas Malacacheta, Moskow e São Domingos, a fim de propor ações de mitigação de eventuais danos ambientais para as comunidades envolvidas, ou adaptação às mudanças causadas pela acácia. A metodologia incluiu observação direta no campo, entrevistas semiestruturadas e levantamentos participativos. Os Wapichana e Macuxi possuem notório entendimento quanto aos impactos das acácias no meio natural e nos seus meios de subsistência. Dentre os problemas citados destacam-se: alteração na água (71,3%), prejudica os cultivos (60,6%), desequilíbrio na fauna (52,1%), e restrição de acesso às terras indígenas (41,5%). As lideranças detalharam melhor os tipos de problemas do que as pessoas não líderes nas comunidades (Z = -0,2078; p = 0,038) e as pessoas mais idosas mencionaram mais tipos de alterações advindas de plantas invasoras nas comunidades (rho = 0,275; p = 0,007). Eles relatam, baseados em seus saberes e práticas tradicionais locais, as características biológicas e ecológicas das acácias que estão em plena conformidade com as publicações científicas. Ademais, o conhecimento indígena forneceu pistas relevantes para a compreensão da distribuição espacial das plantas invasoras. Foram apontados diferentes habitats com ocorrências de acácias, como buritizais, proximidades aos igarapés e poços, lavrado, residências, estradas de acesso às comunidades e áreas de lazer, mas principalmente as roças ativas e inativadas (em pousio), onde a abundância de acácia é mais elevada, sendo São Domingos a comunidade mais impactada. A relação entre a densidade de plantas da espécie invasora nas roças e a distância das plantações comerciais de A. mangium foi negativa, indicando que à medida que há aumento na distância diminui a densidade de invasoras nas roças indígenas. Identificou-se maior abundância e densidade de plantas invasoras nas roças de São Domingos pela proximidade das roças aos plantios comerciais, seguida por Moskow e Malacacheta. Em razão dos levantamentos das populações de invasoras nas roças terem sido feitos em diferentes momentos após a limpeza, esperava-se as altas variabilidades encontradas: em São Domingos a densidade média de plantas variou de 0,3 a 1.713 por hectare, em Moskow de 7 a 102, e em Malacacheta de 10 a 110. O conhecimento dos informantes pertencentes as etnias Wapichana e Macuxi relativo à A. mangium mostra a importância de sua participação na gestão da invasão de plantas e, consequentemente, na conservação de ecossistemas naturais onde vivem.
AbstractThis thesis addresses the ecology and ethno knowledge regarding the Acacia mangium invasion on the indigenous lands (TI`s) of Serra da Lua, Roraima, territory of the Wapichana and Macuxi, people that speak the aruaque and carib tongues , respectively. It takes the shape of a ethno ecologic study, qualitative and quantitative, in which the traditional and scientific knowledge have aligned to pursue information regarding the invading acasia dispersed inside the TI`s. The goal of this research is to analyze the invasion of A. mangium based on the ethnoknowledge and ecologic data, such as studies of cases on the indigenous communities Malacacheta, Moskow and São Domingos, for the sake of proposing actions that reduce eventual environmental damage or adaptation caused by the acacia, involving these communities. The methodology includes direct field observation, semi structured interviews and participatory surveys. The Wapichana and Macuxi possess notorious understanding regarding the impacts of the A. mangium on the natural environment and their livelihoods. Amongst reported problems, these stand out: water alteration (33,8%), damaged cultivation (28,8%), fauna instability (24,7%) and restricted access to indigenous lands (12,6%). The community leaders described the issues with more detail compared to the non leading people ((Z = -0,2078; p = 0,038) and the elderly have reported more types of alterations coming from the invading plants on the community (rho = 0,275; p=0,007). They report, based on their knowledge and local traditional practices, that biological and ecological characteristics of the invading plant do match the scientific publications. Furthermore, the indigenous knowledge have provided relevant clues to the comprehension of the spatial distribution of this plant. Many different habitats have been pointed, such as, buritizais, areas that are close to igarapés and water holes, fields, residences, access roads to communities, leisure areas, but mostly on active and non-active country areas, where the abundance of acacia is higher, the most affected community being São Domingos. The link between plant abundance on the country areas and distance to commercial crop fields was negative, indicating that, as the distance enlarges, the number of invading plants lessens on the country areas. It has been noted that the country areas surrounding the commercial crop fields of São Domingos have more reported more cases of invading plants, followed by Moskow and Malacacheta. Due to the fact that the surveys regarding existing plants around the country areas were made on different moments after the cleaning, high diversity was to be expected on the findings. In São Domingos, the plant density varied between 0,3 to 1.713 per hectare, in Moskow between 7 to 102 and in Malacacheta between 10 to 110. The knowledge of the Wapichana and Macuxi people related to the A. mangium has an accurate conformity to the scientific knowledge published on the subject, which asserts the importance of contribution, the discussion of the participation of indigenous populations on the overseeing of invading plants and, consequently, on the conservations of natural ecosystems where said ethnic groups live.
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