| Resumo | A relação entre a saúde dos ecossistemas e o bem-estar humano tem ganhado destaque diante
do aumento das pressões antrópicas que ameaçam a integridade ambiental e a oferta de serviços
ecossistêmicos essenciais. Este estudo investigou os fatores que determinam a saúde de
ecossistemas de igarapés de Porto Velho, Rondônia, e sua relação com a saúde humana em
áreas urbanas e periurbanas. Foram amostrados dez igarapés, utilizando uma abordagem
multidisciplinar baseada em indicadores físicos, químicos, biológicos (ictiofauna e
entomofauna aquática- Odonata, Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera (EPT)), e
socioeconômicos. As análises estatísticas incluíram PERMANOVA, modelos lineares
generalizados (GLM), PCA, RDA, correlação de Spearman e métricas de diversidade. Os
resultados indicam que os igarapés da área urbana estão fortemente impactados pela
urbanização desordenada e pela ausência de saneamento básico, refletida na baixa
disponibilidade de oxigênio dissolvido (4,41 mg/L), elevados níveis de demanda química e
bioquímica de oxigênio (474,64 mg/L e 347,05 mg/L), ferro dissolvido (1,15 mg/L), sulfeto
(0,09 na cheia e 0,02 na seca), nitrato de amônia (6 mg/L) e nitrito (12,25 mg/L). As pontuações
do IIH variaram de 0,14 (Ig06) a 0,88 (Ig03), refletindo a heterogeneidade ambiental entre os
igarapés amostrados, e mostrou-se um fator central para a manutenção da biodiversidade
aquática, com igarapés preservados apresentando maior diversidade, riqueza e equitabilidade.
Em contrapartida, igarapés degradados registraram elevada abundância de espécies exóticas
invasoras (Poecilia reticulata e Oreochromis niloticus). A análise socioeconômica mostrou
associação entre renda média e ocorrência de doenças (-0,68; p=0,0304). Além disso, maior
distância dos domicílios em relação aos igarapés esteve positivamente associada à integridade
do habitat (0,89; p=0,0004), à melhoria das condições físico-químicas da água (-0,71;
p=0,0194) e ao aumento da riqueza de peixes (0,85; p=0,0016). O estudo destaca a necessidade
de ampliar amostragens, incluir outros grupos biológicos e implementar políticas públicas
integradas que priorizem saneamento, educação ambiental e manejo sustentável. A colaboração
entre pesquisadores, comunidades e gestores é essencial para mitigar os impactos da
urbanização e promover a restauração e conservação dos igarapés urbanos. |
| Abstract | The relationship between ecosystem health and human well-being has gained prominence due
to increasing anthropogenic pressures that threaten environmental integrity and the provision
of essential ecosystem services. This study investigated the factors determining the health of
stream (igarapé) ecosystems in Porto Velho, Rondônia, and their relationship with human
health in urban and peri-urban areas. Ten streams were sampled using a multidisciplinary
approach based on physical, chemical, biological (ichthyofauna and aquatic entomofauna—
Odonata, Ephemeroptera, Plecoptera, and Trichoptera (EPT)) and socioeconomic indicators.
Statistical analyses included PERMANOVA, generalized linear models (GLM), PCA, RDA,
Spearman correlation, and diversity metrics. The results indicate that urban streams are heavily
impacted by unplanned urbanization and the lack of basic sanitation, reflected in the low
availability of dissolved oxygen (4.41 mg/L), high levels of chemical and biochemical oxygen
demand (474.64 mg/L and 347.05 mg/L), dissolved iron (1.15 mg/L), sulfide (0.09 mg/L in the
wet season and 0.02 mg/L in the dry season), ammonium nitrate (6 mg/L), and nitrite (12.25
mg/L). HII scores ranged from 0.14 (Ig06) to 0.88 (Ig03), reflecting environmental
heterogeneity among the sampled streams and revealing its central role in maintaining aquatic
biodiversity, with preserved streams showing higher diversity, richness, and evenness. In
contrast, degraded streams recorded high abundances of invasive exotic species (Poecilia
reticulata and Oreochromis niloticus). Socioeconomic analysis revealed an association
between average income and disease occurrence (-0.68; p = 0.0304). Furthermore, greater
distance of households from the streams was positively associated with habitat integrity (0.89;
p = 0.0004), improved physicochemical water conditions (-0.71; p = 0.0194), and increased fish
richness (0.85; p = 0.0016). The study highlights the need to expand sampling, include
additional biological groups, and implement integrated public policies that prioritize sanitation,
environmental education, and sustainable management. Collaboration among researchers,
communities, and decision-makers is essential to mitigate the impacts of urbanization and
promote the restoration and conservation of urban streams. |