Doutorandas da UFT e da UFRR realizam doutorado sanduíche na Argentina para avançar estudos sobre biodiversidade de insetos neotropicais


As doutorandas Bruna Santos Andrade, da Universidade Federal do Tocantins, e Pietra Sally Biazussi Montanuci, da Universidade Federal de Roraima, iniciam no começo de fevereiro um período de doutorado sanduíche na Argentina, onde darão continuidade a pesquisas voltadas à compreensão da biodiversidade, da evolução e da organização taxonômica da família Archembiidae, pertencente à ordem Embioptera — um grupo de insetos ainda pouco explorado pela ciência.

No caso de Bruna, a pesquisa investiga as relações filogenéticas e a história natural da família Archembiidae a partir da integração de diferentes tipos de dados, como caracteres morfológicos e informações sobre história natural. Segundo a doutoranda, “a investigação das relações filogenéticas e da história natural da família Archembiidae contribui para esclarecer padrões evolutivos e taxonômicos dos Embioptera, um grupo ainda pouco estudado”. Para ela, essa abordagem permite “propor hipóteses mais robustas sobre a evolução do grupo, auxiliando na delimitação de linhagens e no entendimento de suas adaptações biológicas”.

Já a pesquisa desenvolvida por Pietra tem como foco preencher lacunas fundamentais no conhecimento sobre Embioptera no Brasil. Apesar de o país abrigar uma das maiores diversidades de insetos do mundo, ela destaca que o conhecimento sobre esse grupo ainda é fragmentado. Segundo a doutoranda, “as principais lacunas dizem respeito à ausência de inventários sistemáticos nos diferentes biomas brasileiros, ao subregistro da real riqueza de espécies e à escassez de estudos taxonômicos integrados”. Ela ressalta ainda que “até o momento, nenhum bioma brasileiro foi adequadamente inventariado para o grupo, o que dificulta estimativas confiáveis de diversidade, distribuição e padrões ecológicos”.

O período de doutorado sanduíche das duas pesquisadoras será desenvolvido a partir do projeto aprovado pelo Dr. Tiago Kütter Krolow (docente Bionorte/UFT), intitulado “Biodiversidade de Embioptera (Insecta) do Brasil – parte 2: preenchimento de lacunas e consolidação da rede”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Tiago é orientador da Bruna. Rafael Boldrini é orientador da Pietra. A iniciativa envolve a colaboração entre pesquisadoras brasileiras e argentinas e tem como objetivo fortalecer os estudos sobre Embioptera na região Neotropical.

Experiência

De acordo com Bruna, a experiência internacional é estratégica justamente por estar inserida nesse projeto cooperativo. “O período de doutorado sanduíche na Argentina é estratégico por estar inserido em um projeto financiado pelo CNPq, que envolve a colaboração entre pesquisadoras brasileiras e argentinas e tem como objetivo fortalecer estudos de Embioptera neotropicais”, afirma.

Pietra reforça essa avaliação ao destacar que a Argentina concentra a principal referência sul-americana em estudos sobre o grupo. Para ela, “o doutorado sanduíche na Argentina é estratégico para minha formação científica, pois o país concentra a principal referência sul-americana em estudos de Embioptera”. A doutoranda ressalta que a coorientação da Dra. Claudia Szumik, especialista reconhecida internacionalmente, é fundamental para o desenvolvimento e a interpretação taxonômica da tese, assim como a interação com a pesquisadora María Laura Juárez, que “amplia as discussões metodológicas e taxonômicas, fortalecendo a qualidade científica do trabalho”.

Os resultados esperados das pesquisas são variados. Ao caracterizar subfamílias e gêneros de Archembiidae com base em múltiplos tipos de dados, Bruna destaca que “esses resultados contribuem para o fortalecimento da pesquisa em biodiversidade, ao gerar conhecimento básico essencial para estudos futuros”. Pietra enfatiza que o trabalho também terá impacto direto na formação de novos especialistas, ao gerar “ferramentas práticas, como chaves de identificação, descrições detalhadas e material ilustrado”, reduzindo o déficit de pesquisadores especializados no grupo no Brasil.
Data: 27/01/2026
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