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Da Amazônia para a Sorbonne: doutorando da Bionorte leva estudo sobre balanço hídrico da floresta ao centro da ciência climática mundial
A trajetória de Manoel Rodrigues da Silva, doutorando da Rede Bionorte, atravessa territórios, culturas e fronteiras — da realidade ribeirinha e indígena no Amapá até um dos mais importantes centros de pesquisa climática do mundo, em Paris.
Entre setembro e novembro de 2025, o pesquisador realizou estágio doutoral na Universidade de Sorbonne, no Instituto Pierre-Simon Laplace (IPSL), vinculado ao Laboratório de Meteorologia Dinâmica (LMD), aprofundando sua formação em uma área estratégica para o futuro da Amazônia, por meio de uma bolsa de doutorado sanduíche da do Rede Bionorte.
Durante o estágio, Manoel desenvolveu pesquisas voltadas à metrificação de serviços ecossistêmicos na floresta, com foco no balanço hídrico — ou seja, na relação entre a água que entra no sistema, por meio da precipitação, e aquela que retorna à atmosfera, além de processos como infiltração no solo, umidade e absorção pelas plantas. O estudo busca comparar áreas manejadas e não manejadas da floresta, investigando possíveis alterações nesse equilíbrio, considerado um dos principais serviços ecossistêmicos prestados pela Amazônia.
Natural de Macapá, Manoel construiu sua trajetória acadêmica a partir de um percurso marcado pela persistência. “Minha trajetória não começou de forma convencional, iniciei meus estudos um pouco mais tarde, mas sempre tive muito claro que a educação seria o caminho para transformar minha realidade”, afirma.
Formado em Engenharia Química pela Universidade do Estado do Amapá (UEAP) e mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele retornou à região Norte para atuar como professor e desenvolver projetos ligados à inovação e sustentabilidade. Em 2024, ingressou no doutorado da Rede Bionorte, consolidando seu vínculo com a produção científica voltada à Amazônia.
Experiência internacional
A oportunidade de mobilidade surgiu a partir de um edital voltado especificamente a doutorandos da Amazônia, iniciativa que vem ampliando o acesso à internacionalização da pesquisa na região.
Para Manoel, a vivência fora do país representa um diferencial que vai além do acesso aos conteúdos acadêmicos. “A mobilidade doutoral é uma oportunidade única. Nada substitui estar presencialmente em outro ambiente acadêmico, convivendo com pesquisadores de diferentes formações e com outras formas de pensar”, destaca.
Durante o período em Paris, ele também enfrentou desafios que contribuíram para seu crescimento pessoal e profissional. A adaptação ao idioma, ao clima e à distância da família fizeram parte da experiência. “Foi difícil, mas também me fortaleceu. Foi um aprendizado que vai muito além da parte acadêmica”, relata.
Ciência na Amazônia
Mais do que uma conquista individual, Manoel enxerga sua trajetória como parte de um movimento coletivo de transformação. “Acredito muito nisso: quando a gente chega, abre caminho para que outros também cheguem”, afirma, ao destacar o impacto da experiência para sua comunidade de origem.
Ele também reforça a importância de ampliar o acesso a oportunidades como essa. Segundo o pesquisador, ainda há desafios na divulgação de editais e programas de mobilidade, o que pode limitar a participação de estudantes da região amazônica.
Com foco em áreas estratégicas como clima, biodiversidade e sustentabilidade, Manoel vê a internacionalização como um caminho sem volta para a ciência produzida na Amazônia. “Não faz sentido adquirir conhecimento fora e não trazer isso de volta para a Amazônia, para aplicar em soluções que dialoguem com a nossa realidade”, afirma.
Rede Bionorte
A Rede Bionorte é um programa de pós-graduação que integra instituições da Amazônia Legal, com foco na formação de recursos humanos e no desenvolvimento de pesquisas voltadas à biodiversidade e biotecnologia da região. O doutorado é realizado presencialmente nos polos vinculados aos orientadores, fortalecendo a produção científica regional e a conexão com os desafios amazônicos.
Data: 31/03/2026